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O prémio BES Biodiversidade 2011 foi entregue à empresa Fertiprado e ao Instituto Nacional de Recursos Biológicos em ex-aequo com a empresa Bioalvo durante uma cerimónia que decorreu no dia nove de Maio no BES Arte & Finança em Lisboa e contou com a presença, entre outros, da Ministra do Ambiente, Dulce Pássaro e do presidente do BES, Ricardo Salgado.

Esta foi a quarta edição do prémio, pioneiro no sector financeiro em Portugal, e distinguiu projectos empresariais dirigidos à protecção do ambiente e reveladores de um compromisso na valorização da biodiversidade.

A Fertiprado é uma empresa especializada que actua no mercado de sementes de pastagens, forragens e culturas de protecção de solo. Foi fundada em 1990, tendo como mentor o Eng. Agrónomo David Crespo, investigador com uma larga carreira internacional na matéria. Com uma filosofia inovadora, mas respeitadora da Natureza e das suas diferentes vocações produtivas, onde a biodiversidade é pilar de sustentabilidade, a Fertiprado procura responder aos problemas que se vão apresentando no seu caminho. Para tal, ao longo dos últimos 20 anos, tem desenvolvido e comercializado um conjunto de misturas biodiversas de sementes pratenses e forrageiras constituídas por várias espécies e variedades de leguminosas e gramíneas, escolhidas segundo as características do solo e clima do local onde vão ser implantadas, e em que as sementes de cada espécie de leguminosa são inoculadas com estirpes efectivas de rizóbio específico. Estas pastagens e forragens biodiversas ricas em leguminosas (PFBRL), além de contribuírem para melhorar a produção e qualidade da erva a baixo custo, constituem uma excelente prática ambiental, pelos seguintes atributos:

1- Permitem a fixação biológica de elevadas quantidades de azoto atmosférico, anulando, ou reduzindo substancialmente, o uso de adubos azotados que além de poluírem os aquíferos com nitratos, envolvem no seu fabrico grandes quantidades de energia fóssil, com libertação de gases de efeito estufa.

2- A “biodiversidade orientada”, ao proporcionar prados mais produtivos, persistentes e estáveis, reduz os ciclos de mobilização do solo, diminuindo a combustão de matéria orgânica e a erosão do solo.

3- O aumento da matéria orgânica no solo, com a consequente melhoria da sua estrutura e fertilidade, melhora as capacidades de infiltração e retenção de água, com diminuição dos riscos de seca e de inundação.

4- Estudos recentes do Instituto Nacional de Investigação Agrária-INRB e do Departamento de Ciências do Ambiente do IST-UTL, permitiram verificar que as PBRL constituem um instrumento eficaz no sequestro de carbono atmosférico, sendo várias vezes mais eficientes que as pastagens naturais, e prestando assim um notável serviço ambiental. Este estudo esteve na base da decisão do Ministério do Ambiente de atribuir um prémio aos agricultores que adoptem este sistema, pago através do Projecto Terraprima / Fundo Português de Carbono.

5- O sistema tem também um impacto positivo na paisagem, na flora e na fauna envolventes, proporcionando mais beleza e vida aos ecossistemas. Quando estrategicamente localizadas são ainda uma ferramenta útil no controlo de fogos florestais.

Em resumo, as PFBRL, para além de gerarem riqueza aos agricultores, e de contribuírem para solucionar de forma sustentável a escassez de alimentos de elevado valor proteico, funcionam como instrumento de melhoria das condições ambientais, com incidência particular nos ciclos da água e do carbono, na conservação da fertilidade do solo, contribuindo ainda para o bem-estar animal e para a obtenção de produtos de grande qualidade alimentar.

A Fertiprado tem investido na expansão da sua actividade, constituindo novas empresas em Espanha, Itália e mais recentemente no Uruguai.

Estabeleceu-se uma parceria entre a Fertiprado e o INRB para a valorização e uso de germoplasma de espécies com aptidão para pastagens e forragens.

O projecto de parceria recentemente iniciado é absolutamente inovador. Com uma duração de quatro anos e meio, tem por objecto, avaliar cerca de 3.000 linhas diferentes, observando o seu comportamento e permitindo seleccionar as que mais se destaquem pelo vigor, persistência e adaptação a nichos ecológicos específicos, que possam vir a ser registadas no Catalogo Nacional de Variedades (CNV) e entrarem depois na composição de PFBRL. Este trabalho permitirá também a renovação com sementes novas, de linhas do BPGV, contribuindo assim para a preservação do património genético nacional.

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